A Cultura no centro da ação política

A recente notícia sobre o levantamento da licença de construção do hotel de 5 estrelas nos Pavilhões do Parque D. Carlos I e a procura de soluções para concretização deste projeto reflete uma visão, por parte do executivo, de cada vez menos cidade para as pessoas. O LIVRE defende que os Pavilhões se possam transformar na Casa da Criação do concelho, devolvendo este espaço aos caldenses.

Um edifício com história, memória e utilidade pública

João Bonifácio Serra descreveu os Pavilhões do Parque D. Carlos I, dizendo que “se há edifício polissémico na cidade é este, albergando inúmeras instituições, centrais e locais, associativas e particulares, ao longo dos seus cento e vinte e três anos de existência. Dispensou instalações a militares e a polícias, recebeu refugiados boers e prisioneiros da Grande Guerra, acolheu livros, estudantes e professores – foi biblioteca, liceu, escola politécnica –, foi palco de teatro, dança e música, academia, galeria de artes plásticas, local de treinos e torneios desportivos. Um número infindável de atividades, distribuídas por um leque muito diversificado de áreas, ali se instalou, realizou, criou. Gerações e gerações de caldenses frequentaram os Pavilhões do Parque, neles trabalharam, cantaram, ensinaram e aprenderam, cresceram, fundaram relações.”. Assim, olhamos para o passado de olhos abertos no futuro.

Um projeto privado que ignora o interesse coletivo

No passado mês de dezembro, foi levantada a licença para construir um hotel de 5 estrelas nos Pavilhões do Parque D. Carlos I, pelo grupo Visabeira, nas Caldas da Rainha. Esta informação foi adiantada pelo presidente da Câmara Municipal, Vítor Marques, tendo como prioridade esta intervenção e refletindo, assim, a sua visão comercial e privada, para um edifício marcado pelo serviço e utilidade pública ao longo da sua existência. Inicialmente avançado como um investimento de 16,3 milhões de euros, o grupo Visabeira deixou por esclarecer quais são as contas finais do projeto. E, embora não tenhamos ainda as contas certas, cabe-nos refletir se é este o valor a pagar pela perda de património público, que deveria estar ao serviço dos caldenses.

A Casa da Criação: cultura no centro da cidade

Os Pavilhões do Parque serviram a população numa diversidade de utilidades — biblioteca, teatro, dança, música, academia, galeria, liceu, escola politécnica — marcando várias gerações de caldenses que os frequentaram. É neste legado que o LIVRE se inspira ao propor um futuro diferente para os Pavilhões — uma Casa da Criação. Transformar os pavilhões numa Casa da Criação é devolver o espaço à comunidade caldense após décadas de portas fechadas e entregue ao abandono. A Casa da Criação deve ser um espaço diverso que sirva as pessoas em todas as etapas de criação e fruição de cultura, com museus e galerias comunitárias, palcos, mediatecas, “Bibliotecas de Coisas”, espaços de atelier e estúdios. 

Uma Casa da Criação transforma a cidade num pólo criativo, atraindo consumidores, artistas, investidores e alterando a dinâmica da cidade. Caldas da Rainha tornar-se-ia num farol da cultura mas, mais do que isso, seria um modelo de cidade viva e ativa. Uma cidade onde existe um espaço de convivência das várias gerações e contextos socioeconómicos, um espaço de igualdade e liberdade artística frequentado, não apenas, por artistas, mas também por famílias, por jovens e idosos, por todas e todos que tenham o desejo de se expressar, de criar ou conhecer. Um novo ponto de encontro na cidade com a Cultura no centro de toda a sua atividade.

O LIVRE Leiria quer uma cidade viva, de criação cultural e de comunidade, e que deve aproveitar o seu património para que as pessoas o possam aproveitar.

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