Os acontecimentos registados este domingo na zona do Meco merecem a atenção das autoridades e da população. É importante esclarecer o que aconteceu e apurar a finalidade da embarcação encontrada na Praia da Foz.
É, por isso, lamentável que um episódio ainda em investigação tenha sido imediatamente instrumentalizado para alimentar discursos alarmistas sobre imigração, apresentando como facto aquilo que, àquela altura, não passava de uma suspeita.
As informações entretanto divulgadas pelas autoridades desmentem os rumores lançados – inclusive por dirigentes locais e nacionais de partidos de extrema-direita – e vieram confirmar precisamente a necessidade de prudência. Segundo a GNR, “não é possível afirmar” que houve qualquer desembarque de migrantes, enquanto permanece em investigação a verdadeira finalidade da embarcação, tendo as autoridades apontado para situações de tráfico ou contrabando.
No LIVRE, recusamos transformar suspeitas ou acontecimentos isolados em argumentos para alimentar o medo.
Por outro lado, é precisamente essa pista apontada pelas autoridades que merece ser levada a sério: a utilização da nossa costa para atividades ligadas ao tráfico de droga é um problema real e de enorme gravidade para Sesimbra e para a sociedade portuguesa.
As nossas praias não podem ser vistas apenas como cenário de episódios mediáticos. São pontos vulneráveis de entrada e circulação de estupefacientes ou combustível no país, com consequências concretas para a segurança e bem-estar das nossas comunidades.
É nessa realidade que devemos concentrar a nossa atenção.
O combate ao tráfico de droga deve ser feito, nomeadamente, através do reforço dos meios das autoridades e da capacidade de vigilância e fiscalização da nossa costa.
Sesimbra merece menos aproveitamento político do medo e mais atenção aos problemas que efetivamente afetam a vida dos seus cidadãos.
É isso que defendemos.