Durante esta manhã, foram relatados ataques militares norte-americanos em Caracas, capital da Venezuela, e Donald Trump, o presidente norte-americano, anunciou que Nicolás Maduro, presidente venezuelano, foi capturado e expatriado por forças dos EUA. Ainda não é claro para onde foi levado e com que fins.
Estas ações, que se afiguram como a primeira implementação da doutrina de segurança nacional norte-americana recém anunciada, estão em clara violação do direito internacional e merecem condenação inequívoca. Não foi consultada nem a ONU, nem os aliados da NATO, e tampouco o Congresso e Senado dos EUA foram informados de antemão por Trump, que enquadrou estas ações como combate ao tráfico de drogas, justificação que colide com o interesse demonstrado recentemente pelos EUA nas reservas de petróleo venezuelanas.
O LIVRE tem consistentemente condenado o regime venezuelano como regime autocrático com historial de violação dos direitos humanos, mas isso em nada justifica esta aventura militar de Trump e o rapto do presidente da Venezuela, ao arrepio de todos os princípios do direito internacional. Qualquer tipo de imperialismo deve ser inequivocamente condenado: aceitar esta agressão internacional abre a porta a outras intervenções norte-americanas já insinuadas por Trump, como a anexação da Gronelândia. A prossecução desta doutrina deve fazer soar alarmes junto das instituições da União Europeia, cujos interesses são ameaçados pelo desrespeito pelo direito internacional.
O LIVRE expressa repúdio por este acto de agressão internacional e total solidariedade com o povo venezuelano, que deve ver o seu anseio pela democracia apoiado no respeito pela sua autodeterminação, longe da opressão de um regime ditatorial e sem a interferência de uma potência militar hostil com interesses diferentes dos seus.
Dos atores internacionais, a resposta deve ser firme e rápida: o Conselho de Segurança da ONU deve trabalhar no sentido de estancar a ação militar norte-americana e impedir que os EUA se tornem juíz e carrasco de um regime de mais um país soberano. A União Europeia, enquanto bloco político, deve distanciar-se da ingerência norte-americana e estar pronta a ajudar o povo venezuelano. Por fim, o governo português deve agir com o máximo sentido de responsabilidade e garantir a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela, que está no centro das preocupações do LIVRE.
