LIVRE e Primavera Europeia participam no Fórum Europeu de Bilbao

LIVRE e Primavera Europeia participam no Fórum Europeu de Bilbao

O LIVRE e os parceiros da Primavera Europeia estiveram representados ontem no Fórum Europeu de Bilbao. O Fórum Europeu de Bilbao é um encontro aberto a todas as forças que pretendem debater e agir em conjunto para contrariar as ameaças atuais e construir outro futuro para a Europa.

O LIVRE, representado por David Adler, membro do DiEM25 e da Primavera Europeia, participou numa das sessões com a mensagem que tem levado a toda a Europa: a necessidade de construirmos uma plataforma progressista com um programa conjunto que defenda uma verdadeira democratização da Europa.

Lê o discurso completo de David Adler aqui:

 

Boa tarde: o meu nome é David Adler e estou aqui em nome de Yanis Varoufakis e do DiEM25.

Em março, com amigos de movimentos e partidos de toda a Europa – Razem na Polónia e Alternativet na Dinamarca, LIVRE em Portugal e Génération.s em França – lançámos uma carta aberta a todas as forças progressistas para que se juntassem a nós na construção de uma coligação diferente: um verdadeiro partido transnacional, com uma lista transnacional de candidatos e um programa pan-europeu unificado que vamos levar a Bruxelas em maio.

Chamámos a este movimento Primavera Europeia.

A Primavera Europeia uniu-se em torno de objetivos semelhantes aos que nos trazem aqui hoje: democratizar a Europa, salvá-la da ruína ecológica, combater a pobreza e a exploração e aprofundar a solidariedade internacional.

Chamámos ao nosso programa um Novo Começo para a Europa – uma agenda de políticas abrangentes que inclui um programa de investimento verde para liderar a transição ecológica da Europa, um programa para melhor redistribuir a riqueza europeia e uma Comissão de Copenhaga para fortificar os direitos fundamentais em toda a União.

Mas o consenso alargado entre os participantes deste fórum levanta apenas uma questão:

Porque é que estamos aqui? Porque é que voámos de toda a Europa – de todo o mundo – para nos juntarmos em Bilbao? Para aplaudirmos os discursos – discursos que poderíamos recitar de cor?

Não, não pode ser: somos todos pessoas ocupadas e nada tão frívolo como uma oportunidade para uma fotografia poderia trazer-nos a Bilbao quando poderíamos ter assinado uma petição do conforto da nossa casa.

Em vez disso, estamos aqui para desafiarmo-nos uns aos outros – para irmos além do artifício da unidade para lidar com as diferenças que nos levam, repetidamente, à oposição. Questionar a “colaboração permanente e ação convergente” – como apela a declaração deste fórum – continua ilusório e as nossas forças fragmentadas.

Estamos aqui – por outras palavras – para construir uma frente verdadeiramente unificada, que esteja preparada para lidar com o crescimento do autoritarismo.

Pedi para falar neste primeiro plenário por razões pessoais e políticas.

Como judeu francês – cuja família lutou na guerra e teve de fugir no seu rescaldo – acredito que a liberdade de movimento é um direito humano sagrado: uma válvula de segurança contra a perseguição, uma fonte de oportunidade para contruir uma nova vida quando a anterior foi destruída.

Agora, ao viver em Atenas, na Grécia, vejo a desumanidade do sistema de asilo da União Europeia de perto: dezenas de crianças a quem é negado acesso a asilo, dezenas mais a quem é negada entrada na Europa.

Se acham que a UE é melhor que os Estados Unidos – separar crianças dos seus pais e impedindo a reunificação – então pensem melhor. A Europa não tem superioridade nesta matéria.

Mas também pedi para falar hoje porque a questão da liberdade de circulação permanece no centro da nossa desunião – e, por sua vez, das nossas falhas políticas.

Há entre nós – nos nossos movimentos, partidos e coligações – os que evitam os migrantes, atiçam a xenofobia e lutam contra a liberdade de circulação.

Acusam os migrantes de ‘roubar o pão’ dos trabalhadores Europeus, acusam os migrantes de degradar a cultura Europeia, veem a liberdade de circulação como uma ameaça à sua soberania nacional e procuram ‘voltar a controlar’ as suas fronteiras ao expulsar os migrantes que ‘abusam da sua hospitalidade’.

Se o maior sucesso de Margaret Thatcher foi o New Labour, então o maior sucesso da direita radical é a nova esquerda anti-imigração.

E depois há os que ficam ao lado dos xenófobos – que unem forças com eles, que formam coligações com eles, que legitimam, capacitam e empoderam-nos.

Claro, quando observamos esse comportamento nos nossos opositores conservadores, denunciamos. Quando vemos o Partido Popular Europeu a dar plataforma a xenófobos como Viktor Orbán, apontamos o dedo. E devemos.

Mas não nos temos nos mesmos padrões. Não limpámos a nossa própria casa.

Isto é, claro, uma falha de intelecto. Qualquer um pode ver que não há provas que sugiram que os migrantes baixem os salários, que a livre circulação cause “fuga de cérebros”, que os migrantes corroam a cultura ou levem a políticas de extrema-direita.

O silêncio na liberdade de circulação é uma falha moral ainda maior. À medida que o clima degrada, a migração global vai rebentar: em 2100, um milhão de migrantes por ano vai candidatar-se a entrar na União Europeia. Se a escala da crise humanitária é enorme hoje – com milhares de famílias presas ao medo, insegurança e pobreza – só vai crescer mais amanhã.

Mas – mais importante para os nossos objetivos hoje – este é um falhanço político. Alguns dos nossos colegas ouvem o canto de sereia da xenofocia – os votos fáceis ganhos com o bode expiatório dos migrantes – e querem adotar esta estratégia à esquerda.

Estão completamente errados: é precisamente ao defender esta “quarta liverdade” que os progressistas podem recuperar a Europa, e é ao abandoná-la que perdemos o equilíbrio para sempre.

A extrema-direita adora dizer que defende os direitos dos cidadãos e o Estado de Direito – mas os seus ataques preguiçosos e cheios de ódio violam esses direitos e pisam esses mesmos princípios. O manto da legitimidade legal é nosso.

Por outras palavras, solidariedade com migrantes é não só um imperativo ético – mas um estratégico, também.

Há um século, no Congresso de Estugarda da Segunda Internacional, foi introduzida uma resolução para acabar com “a importação intencional de mão-de-obra barata para destruir organizações de trabalho”.

É uma citação que certamente soa familiar hoje.

Mas o Congresso de Estugarda rapidamente rejeitou esta resolução. “Achamos que não se pode ser internacionalista e ao mesmo tempo a favor de tais restrições”, disse Lenin. “Tais socialistas são, na realidade, nacionalistas fanáticos.”

Amigos deste fórum, unamo-nos a condenar tal nacionalismo fanático. Responsabilizemo-nos uns aos outros – nos nossos movimentos, partidos e coligações – ao não nos associarmos com a xenofobia. E lutemos pelo internacionalismo, solidariedade e todos os nossos valores enquanto progressistas na Europa.

Isto é o que defendemos na Primavera Europeia. Encorajo-os a todos a juntarem-se a nós no nosso movimento transnacional.

Obrigado.

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