Solidariedade, soberania e dignidade perante a crise em Ceuta

Solidariedade, soberania e dignidade perante a crise em Ceuta

Fomos hoje confrontados com imagens impressionantes, vindas de Ceuta, que polarizam de imediato os sentimentos nas sociedades europeias: de um lado a empatia pelo desespero de milhares de pessoas, do outro o pânico perante a sugestão de uma invasão.

Aquilo a que assistimos em Ceuta é aquilo a que já assistimos ao longo das últimas décadas. Por isso mesmo devíamos estar mais bem preparados para reagir.

A estratégia de Marrocos repete a de Kadhafi na Líbia e a de Erdogan na Turquia; é também a da Bielorrússia de Lukashenko, com o apoio de Putin: usar o desespero de milhares de pessoas para sabotar e chantagear os países europeus.

É isso que estamos a ver em Ceuta. Marrocos, país cada vez mais próximo dos autoritarismos de Netanyahu e de Donald Trump, tenta enfraquecer de um lado a Espanha, do outro todo o projeto europeu. Acontece dias depois de Pedro Sánchez ter visitado a Argélia, arquirrival de Marrocos, com o futuro do Sahara Ocidental, território que Marrocos ocupa há mais de 50 anos, em cima da mesa. Um futuro que parece já ter sido acertado com os Estados Unidos e com Israel, ao ponto de Marrocos ter anunciado que a nova autoestrada nesse território ocupado se vai chamar Donald Trump.

Perante isto, o que Portugal pode e deve fazer é simples. Mostrar solidariedade para com Espanha e dar o apoio necessário no controlo das fronteiras e no tratamento digno destas pessoas. Portugal, Espanha e a União Europeia têm de ser firmes na defesa da sua soberania e do seu território, perante qualquer ameaça externa, venha ela de onde vier.

Quem pensa que o alvo é Espanha, ou Pedro Sánchez, engana-se: o que está a ser atacado é a ideia de Europa, e nela cabemos todos. Por isso o LIVRE estará do lado certo desta história: do lado da independência e da soberania da Europa, da liberdade que as sustenta — contra todos os autocratas que nos querem destruir.

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