LIVRE opõe-se à mineração de lítio no Gerês e em Montalegre

LIVRE opõe-se à mineração de lítio no Gerês e em Montalegre

Este Dia Mundial da Terra acontece numa altura em que milhares de pessoas se manifestam pela emergência climática e exigem uma atuação pronta dos governos e das instituições.

“Não há Planeta B” e por isso são precisas novas formas de fazer política, que ponham o ambiente e o bem-estar do planeta e dos seus habitantes em primeiro lugar.

A mineração e a indústria extrativa têm impactos enormes no meio ambiente, nos ecossistemas e nas populações. No entanto, o governo insiste na mineração de lítio como uma das estratégias para o futuro do país. Foi recentemente assinado um contrato para a exploração de lítio em Montalegre e preveem-se concessões em áreas que estão na Zona de Proteção Especial da Serra do Gerês (Rede Natura 2000), junto ao Parque Nacional da Peneda-Gerês, bem como em zonas de Reserva Ecológica Nacional do Alto Minho e Barroso, no norte de Portugal.

O LIVRE defende que abrir o Minho e Trás-os-Montes à exploração de minério tem um preço demasiado elevado. A preservação da água, de alguns dos melhores solos agrícolas e florestais e de áreas de elevado valor para a conservação da natureza, para a biodiversidade (incluindo para o Lobo-ibérico) e para a sustentabilidade e viabilidade das populações serranas é prioritária. São estes os recursos únicos e mais valiosos desta região.

Estando o país a enfrentar escassez de água e seca prolongada, sobretudo a sul, o LIVRE considera também fundamental salvaguardar a disponibilidade de água a norte, numa estratégia nacional e integrada de investimento no território. Deve por isso ser feita a aposta em atividades económicas que permitam esta salvaguarda – como as relacionadas com a floresta autóctone – e recusadas as que coloquem em risco os recursos naturais.

A transição para um modelo assente em energias renováveis requer uma aposta em baterias e em dispositivos de armazenamento. Por isso, a área da inovação em baterias e equipamentos eléctricos encerra sem dúvida um enorme potencial. No entanto, a taxa de reciclagem de baterias de lítio na União Europeia, neste momento, é ainda muito baixa (2%).

Em vez de esgotar e de colocar em risco os seus recursos naturais, Portugal deve assumir a dianteira na aposta em setores económicos e sustentáveis, como a inovação em reciclagem de baterias e também em novas formas mais eficientes de armazenamento, que dispensem lítio, cobalto e outros metais pesados.

Assim, o LIVRE junta-se aos movimentos cívicos e aos municípios das regiões afetadas no pedido ao Governo para que cancele os concursos de prospeção de minério em áreas protegidas e para que estude a expansão destas áreas para salvaguardar os seus recursos naturais e o território para as gerações atuais e futuras.

Esperamos que o Ministro do Ambiente e da Transição Energética  e o Secretário de Estado da Energia honrem o nome do seu ministério.

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